A individual do fotógrafo Cristiano Mascaro na Galeria Nara Roesler, com curadoria de Agnaldo Farias, traz 23 fotografias inéditas do artista, todas em preto e branco, que abordam a paisagem urbana, tema germinal e instaurador de sua poética. “Cristiano Mascaro caminha pelas cidades com seu equipamento, câmara e tripé, observando, espreitando, esperando, procurando não sabe bem o quê, até que finalmente encontra: a silhueta monumental de uma construção isolada num arrabalde qualquer, as sombras longas largadas por carros e caminhões que, vistos do alto do viaduto, vão em fila desaparecendo na rodovia, o ritmo miúdo e sincopado das luzes se acendendo no anoitecer da metrópole transformando-a numa maquete, a névoa de poluição que faz da paisagem do aglomerado acidentado e cinza de prédios um mosaico, entre tantas outras imagens das quais agora, na Galeria Nara Roesler, ele nos apresenta apenas uma pequena parcela”, explica o curador.
Cristiano era estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo quando surgiu seu interesse por fotografia. O artista iniciou seus trabalhos a partir de explorações da luz e logo uniu essa pesquisa à captura de situações da cidade, tornando a questão da paisagem urbana fundadora da sua obra autoral. “Nosso fotógrafo peregrina pelas cidades do mundo, qualquer seja ela, de metrópoles a pequenas cidades mortas, ou simplesmente para o centro de São Paulo, cidade inesgotável como as outras, mas na qual ele cresceu, estudou e trabalha”, conta Agnaldo. Segundo ele, a obra de Cristiano se traduz desde as imagens monumentais em que empenas de prédios e casarios são capturados de baixo para cima, impondo-se a nós, até as imagens vertiginosas que se descortinam dos topos dos arranha-céus, e que, convertidas em foto, obtêm o curioso efeito de miniaturizarem o mundo.
Cristiano Mascaro foi repórter fotográfico da revista Veja, o que foi uma excelente oportunidade de conhecer a realidade urbana e posteriormente ganhou uma bolsa para passar dois anos em Paris, estudando fotografia. Hoje o artista é um dos mais respeitados fotógrafos do país. Em 2007 ganhou o maior prêmio no projeto Porto Seguro de Fotografia pelo conjunto de sua obra, a sua individual “Cidades reveladas” passou pelo Centro Cultural Correios, no âmbito do evento FotoRio – Rio de Janeiro, RJ, pelo Museu de Arte Sacra, em Belém, PA e pela Galeria ArtLounge, em Lisboa. No mesmo ano, entre as coletivas destacam-se “Mirame: uma ventana a la fotografia brasileña”, na Fototeca de Cuba, em Havana, e “Olhares cruzados: Cristiano Mascaro vê Berlim, Sibylle Bergemann vê São Paulo”, na cidade alemã. Em 2008, o Instituto Tomie Ohtake organizou a individual “Todos os Olhares”, premiada com “O melhor da Fotografia, Brasil 07/08” pela Sixpix Content/Semana Epson Fnac da Fotografia, exposição levada também para o MAMAM, em Salvador.