Marcelo Silveira (Gravatá, PE, 1962). Vive e trabalha em Recife.

A obra de Marcelo Silveira nos remete de forma recorrente para o tema da organização, entretanto, quando vista por inteira, é difícil catalogá-la. Se a escultura é a linguagem mais utilizada, sendo a madeira a matéria prima protagonista, o desenho, os objetos, a escrita, o fazer manual e a apropriação, bem como o campo da instalação também vêm sendo ativados ao longo da sua trajetória.

Uma vontade de retirar a hierarquia, dando as coisas um mesmo grau de importância perpassa sua produção. Marcelo não distingue o que é trabalho acabado do que é projeto, escultura e desenho se encontram em pé de igualdade, madeira e ferro idem, assim como vidros finamente esculpidos e uma ordinária garrafa de sucos vazia feita de vidro rústico. Tudo ocupa o mesmo lugar, numa lógica horizontal de ocupar os espaços e o mundo por conseqüência. Obras mais recentes, como “Armazém República” (2004) e “Tudo ou Nada” (2006), revelam um artista que lida com o ato de colecionar e preencher, formulando campos cheios e vazios. Na primeira instalação vemos a acumulação de pequenas esculturas em madeira que quando vistas isoladamente não agradavam ao artista, mas em grupo ganham novo significado e sentido. Já em “Tudo ou Nada”, Marcelo nos convida a entrar em um espaço construído em madeira, iluminado, porém vazio. Ele gera a expectativa, mas nos nega a completude, o preenchimento. O que encontramos são estantes, prateleiras, gavetas, toda sorte de compartimentos prontos para abrigarem coisas que, na lógica ambígua de Marcelo serão organizadas, mas nunca catalogadas. Em seus armazéns um objeto nunca é parecido com o que lhe é vizinho. Como a ordem dos armazéns “reais” que acumulam toda sorte de mantimentos e se comunicam com o público que vai até lá comprar, a obra de Marcelo também almeja esta comunicação através de uma desordem ordenada, esperando que preenchamos o vazio e saibamos ver por entre o excesso.
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