Paulo Whitaker (São Paulo, 1958). Vive e trabalha em São Paulo.

As pinturas de Paulo Whitaker pertencem a este universo neo-romântico contando uma história, a da própria pintura. Superfícies densamente construídas, suas obras constituem-se no esforço de uma especulação pessoal, onde o fazer é o tema do trabalho: um quadro não se rege por regras exteriores, mas é determinado por uma necessidade interior. Pintar é uma idéia puramente subjetiva, expressão de algo imediato e sensível, e sua prática um ato heróico. Compostas de muitas camadas de tinta, grossamente aplicadas cada uma delas sobre a anterior mas sem fazê-las desaparecer de todo, estas pinturas recentes resultam como um registro programático que se percebe logo sob as diversas capas de pintura que ela mesma engendrou. São como palimpsestos, manuscristos realizados sobre um suporte material já escrito anteriormente. O isolamento das figuras de seu fundo ecoa como o isolamento das figuras de afrescos pré-renascentistas. (...) Paulo Whitaker, como muitos outros artistas de sua geração, pensa a arte como uma ação cujo poder efetivo opera simultaneamente na direção do olhar e da psique. Sua obra dirige-se à memória cultural e à compreensão da tradição da arte.

Deslocando as fontes da arte do mundo exterior e atribuindo os objetos artísticos à imaginação e à intuição que os interpreta, Whitaker alinha-se com o humanismo essencial e tradicional do papel da arte em enobrecer e iluminar o espírito.

Ivo Mesquita
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